O dia em que a Guerra falou
Todo mundo sempre soube que, devido a falta de ações efetivas do poder publico na área de segurança publica, e a lenta, progressiva e gradual implantação do poder do trafico nas comunidades carentes, uma situação limite se conflagraria. A população sempre intuiu que a tomada de territórios por traficantes, a imposição de seu modo de vida a força (funk, drogas, orgias), deixando populações carentes a mercê da sanha desses fascínoras, ia fazer com que o resto da cidade tivesse que confronta-los.
Sempre foi ponto pacifico que a falta de moradia adequadas, urbanização decente e transporte publico satisfatório, o que isolava essas comunidades, deixava essas comunidades abandonadas, e a única unidade do poder publico que havia com frequência nas favelas era a policia.
Os cariocas sabiam que esse abandono ia custar um preço alto. Quanto mais tempo fosse passando, mais alto ele iria ficar. Todo mundo sabia que essa guerra ia vir, cedo ou tarde. Esse dia ia chegar. Pois bem. As tropas estão aquarteladas, os tanques perfilados, a armas em punho. Esse dia chegou. Foi ontem, e vai continuar hoje.
Esta inaugurada a guerra do Rio.
O dia em que a Guerra falou
Beltrame: "o Rio não pode recuar"
RIO - Mesmo com o reforço no policiamento e a realização de operações policiais em diversas comunidades , criminosos continuam a realizar ataques nesta quarta-feira. No fim da tarde, três ônibus e um caminhão foram incendiados na Baixada Fluminense e na Zona Norte do Rio. Um passageiro ficou ferido em uma das ações.
Um ônibus foi incendiado na Estrada Feliciano Sodré, em Mesquita, nas proximidades da estação ferroviária de Juscelino. O ônibus foi atacado na frente do Colégio Castelo Branco. Não há registro de feridos. O criminoso, que estava no coletivo, pegou o dinheiro do ônibus e contou com a ajuda de um motqueiro para fugir.
Em Anchieta, um passageiro ficou ferido em mais um ataque a ônibus no início da noite desta quarta-feira. Bandidos atearam fogo ao coletivo na Via Light, altura da Estrada Rio do Pau. Ninguém foi preso. Em virtude das dificuldades para combater as chamas, bombeiros de Ricardo de Albuquerque pediram reforço ao quartel de Guadalupe. Não há informações sobre o estado de saúde da vítima, não identificada.
Outros dois veículos foram incendiados por bandidos, desta vez na Avenida Leopoldo Bulhões. Um ônibus e um caminhão ficaram em chamas na pista sentido Bonsucesso, próximo à passarela de Manguinhos. De acordo com a Polícia Militar, ninguém ficou ferido, e os autores do crime fugiram. No Jardim América, também na Zona Norte, uma cabine da PM foi metralhada por criminosos. Próximo à cabine, um carro também foi incendiado no local. Não há informações sobre feridos até o momento.
Pela manhã, quatro pessoas ficaram feridas após uma van ser incendiada na Estrada da Urucânia, em Santa Cruz, e foram levadas para o Hospital Rocha Faria. Segundo a trocadora do veículo, identificada como Eliane, os bandidos teriam impedido que ela, o motorista e dois passageiros descessem do veículo, que já estava em chamas. Eles sofreram queimaduras nas pernas, foram medicados e liberados. Desde o início da madrugada, pelo menos onze carros, uma van e seis ônibus e um caminhão foram incendiados.
A sequência de casos de violência já provoca reflexos na rotina de instituições privadas de ensino do Rio. A Universidade Gama Filho publicou nota em seu site nesta quarta-feira informando que todas as suas unidades encerrarão o expediente às 17h, devido aos últimos acontecimentos registrados na cidade
Veja imagens dos ataques dos bandidos e da reação da polícia nesta quarta
Bandidos que atacaram van embarcaram em Tancredo Neves
Segundo testemunhas, os bandidos embarcaram na van na altura da estação ferroviária de Tancredo Neves e, cerca de cem metros depois, começaram a jogar combustível no veículo. Eles desceram da van e, neste momento, teriam impedido a saída dos passageiros, que conseguiram escapar.
Também em Santa Cruz, na Avenida Felipe Cardoso, um ônibus foi incendiado. Um outro coletivo, da Viação Três Amigos, foi queimado em Vicente de Carvalho perto da estação do Metrô. As chamas consumiram todo o veículo. O tráfego foi parcialmente interrompido no sentido Penha. Policiais da Delegacia de Homicídios vão apresentar, nesta quarta-feira, Magno Tavares dos Santos, 24, acusado incendiar o coletivo. De acordo com os policiais, ele mora no Complexo do Alemão. Ele foi detido em flagrante na Avenida Martin Luther King, logo após o crime.
Segundo um motorista que estava em uma barraca próxima ao local onde o ônibus foi incendiado, dois rapazes pediram ao dono da barraca um pedaço de papel. Eles estavam com duas garrafas de dois litros cheias de combustível. Logo depois, o ônibus parou no ponto para desembarcar e embarcar passageiros:
- Eles correram e achei que iam pegar o ônibus, mas depois de 4, 5 minutos desceram o motorista e cinco passageiros - contou Vagner Júnior, motorista da linha Madureira-Candelária.
Opine: Com bandidos ateando fogo a carros e ônibus, qual é a alternativa mais segura de transporte no Rio?
De acordo com bombeiros do quartel de Irajá, um carro foi incendiado na Estrada de Botafogo, em Costa Barros, no trecho entre as comunidades do Morro da Pedreira e Fazenda Botafogo. Os suspeitos teriam rendido os motoristas e mandado eles descerem dos carros, antes de atear fogo aos veículos. Os motoristas não se feriram.
Em Cavalcante, na Rua Eraldo Santos Araújo, dois homens numa moto atearam fogo em uma Parati. Segundo o taxista Orlando Junior, ele saía de casa quando escutou o barulho de uma freada brusca.
- Achei que era assalto quando vi uma moto saindo em velocidade com dois homens e o carro pagando fogo - contou.
Diogo de Abreu,enteado do dono do veículo, conta que foi avisado por vizinhos:
- O carro sempre fica estacionado aqui e nunca aconteceu nada. Estamos no meio de uma briga e acaba sobrando para gente. Não temos segurança nenhuma no Rio - lamentou ele, lembrando que por pouco o carro, que é a gás, não explodiu - Apenas os pneus do veículos explodiram - disse.
Na madrugada, moradores do prédio 81 da Rua Siqueira Campos, em frente as Praça Vereador Rocha Leão, em Copacabana, acordaram nesta madrugada assustados com uma explosão. Um carro que estava estacionado junto ao prédio, foi atacado por criminosos, que jogaram uma bomba artesanal debaixo do veículo. Com a explosão, o fogo logo se alastrou. Moradores desceram do prédio e ajudaram, com baldes d´água e extintores, a debelar o incêndio. O carro ficou parcialmente destruído. Ninguém saiu ferido.
Também na madrugada, no bairro Jardim Redentor, em Belford Roxo, dois ônibus da viação Regina foram queimados. Os criminosos interromperam o trânsito, obrigaram os passageiros a descer do veículos e então atearam fogo. Os bombeiros controlaram as chamas. Poucas horas depois, bandidos incendiaram um ônibus da viação Expresso São Geraldo, na Via Dutra, na pista sentido Rio, na altura de Engenheiro Pedreira, também na Baixada. Os três ônibus ficaram totalmente destruídos, mas não houve vítimas.
Em Duque de Caxias, um Fiat Palio foi incendiado na Rua França Junior, no Parque Lafaiete. Os criminosos tentaram atacar os ocupantes, que correram para dentro de casa. Ninguém ficou ferido.
Na região central de Niterói, nos bairros do Fonseca e São Lourenço, quatro carros foram incendiados, depois de atingidos por coquetéis molotov. Outros dois carros também foram queimados em São Gonçalo.
No Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, um carro foi incendiado, sem deixar vítimas.
Uma ditadura de idiotas
6/08/2007 Uma ditadura de idiotas
Críticos de sites da Web como Wikipedia e MySpace alegam que estes estão enfraquecendo a esfera pública. Mas alguém realmente gostaria de voltar no tempo? James Crabtree*
Gordon Brown recentemente descreveu o MySpace, site da Web no quais adolescentes escrevem sobre si mesmos, como o maior clube de jovens do Reino Unido. Mark Zuckerberg, o fundador de 23 anos do Facebook, que consiste em perfis do cotidiano de seus usuários, recebeu uma oferta de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2 bilhões) por sua empresa no ano passado. E neste julho, o YouTube, que abriga milhões de vídeos amadores banais, terá mais acessos no Reino Unido do que a BBC Online.
Justo quando parecia que tínhamos emergido da bolha da Internet, a revolução tecnológica voltou.
Bem-vindo à Web 2.0.A expressão "Web 2.0" data de uma famosa sessão de brainstorm no Vale do Silício em 2004 liderada por Tim O'Reilly, um empresário cultuado da Costa Oeste. Os participantes, observando os novos tipos de organização que emergiam dos destroços do desastre das pontocom, começaram a falar de uma segunda fase da expansão da Internet. Mais tarde, O'Reilly tentou deixar claro ao que se referia. A Web 2.0, entre outras coisas, "confia nos usuários como co-desenvolvedores", enquanto "equilibra a grande demanda com o auto-serviço".
Em outras palavras, a primeira geração de empresas da Internet tendiam a vender coisas, enquanto as da Web 2.0 tendem a ajudar as pessoas a criarem e compartilharem idéias e informação.Entra Andrew Keen, empresário de Internet britânico que mora na Califórnia e cujo novo livro, "The Cult of the Amateur" (O Culto do Amador), critica ferozmente a Web 2.0 e seus acólitos. Interessante notar que foi O'Reilly que originalmente inspirou a abjuração de Keen. A cada ano, O'Reilly dirige um encontro exclusivo, chamado "FOO Camp" (das iniciais em inglês de amigos de O'Reilly). Keen foi convidado um ano e descreve o evento: "Uma viagem de acampamento de dois dias com duas centenas de utopistas do Vale do Silício.
Com um saco de dormir em punho e mochila nas costas, marchei até o acampamento; dois dias depois, sentindo enjôo, saí de lá descrente".Keen não está sozinho em sua falta de confiança na turma da Web 2.0.
Em um ensaio muito discutido publicado no site Edge, no ano passado, o ativista digital Jaron Lanier argumentou contra o "maoísmo digital" e o "aumento alarmante da falácia do coletivo infalível" na Internet. E Andrew Orlowski, outro jornalista britânico que mora no Vale do Silício, fez de sua coluna no site de notícias em tecnologia "The Register" uma cruzada pessoal contra pessoas como O'Reilly e o fundador da Wikipedia, Jimmy Wales.Então, será que estamos no início de uma segunda reação às pontocom? Talvez. Mas mesmo que tal movimento exista, Keen é um líder fraco.
Suas muitas reclamações contra a Internet incluem as habituais histórias horríveis de obscenidade, roubo de identidade, jogatina e besteiras, mas ele se concentra desproporcionalmente nesses piores excessos dos entusiastas digitais.Já Keen tem duas idéias que devem ser levadas a sério.
Uma envolve os "amadores" do título. Ele cita Neil Postman, cujo famoso livro "Amusing Ourselves to Death" (Divertindo-nos até a Morte, 1985) pergunta qual futuro tecnológico deve nos assustar mais: a visão de Orwell de uma sociedade de vigilância ou o temor de Huxley da docilidade universal? Keen preocupa-se com ambos, mas ainda mais com um terceiro cenário: um futuro no qual todos participam on-line e poucos tem algo a dizer. Ele chama de "ditadura de idiotas".
A Wikipedia é o melhor exemplo desse amadorismo e um bicho assustador comum dos críticos da Web 2.0. O ensaio sobre o "maoísmo digital" de Lanier, por exemplo, começa com uma reclamação sobre sua própria resenha (que diz erroneamente que era diretor de cinema).
Assim como Keen teme a marginalização do especialista, Lanier acha que a crença no poder da "mente de colméia" coletiva destruirá tanto a autoria quanto a responsabilidade. Isso, por sua vez, danificará seriamente nossa compreensão do conhecimento e da verdade.A segunda idéia de Keen é que esses mesmos amadores da Internet estão enfraquecendo o respeito à esfera pública. Apesar de não falar dessa forma, seu argumento é uma visão pós-milênio da velha defesa da mídia como serviço público.
Em meio a críticas aos blogs, sua verdadeira admiração é por heróis da era de ouro do jornalismo - Woodward e Bernstein, Edward Murrow, Walter Cronkite e assim por diante - e as instituições como CBS, New York Times e BBC que os empregavam.Ainda assim, seus argumentos são furados.
A Wikipedia é uma maravilha moderna: uma enciclopédia gigante, gratuita, geralmente com altos níveis de precisão, compilada inteiramente por voluntários. Assim é com outros sites montados por dados agregados pelos usuários. Sim, o amadorismo online tem seus limites. Mas parece falta de educação alegar que um conjunto de sites da Web geralmente gratuitos e úteis podem ser a causa de tantos males.O argumento da esfera pública de Keen tem mais mérito e ele está certo em culpar a Internet por minar os modelos comerciais dos jornais.
Mas culpar a Wikipedia e o YouTube especificamente, em vez da ampla mudança tecnológica em geral, não faz sentido. E culpar a Web 2.0 pela queda nos padrões jornalísticos sem também discutir os tablóides e a televisão comercial é perverso.Dada a escolha, a maior parte das pessoas trocaria o acesso à mídia de hoje por qualquer outro da história? Seria pouco razoável argumentar que a maior parte das pessoas hesitaria em entregar seu e-mail, diminuir seu acesso à Internet e voltar a uma era de jornalões impressos e quatro canais de televisão. Não que a mídia de hoje seja perfeita, mas a questão é como guardar as melhores partes do antigo mundo para não serem minadas por YouTube, blogs e o resto.
Um blogueiro, citado recentemente pelo blog da Irlanda do Norte Slugger O'Toole, forneceu uma atualização clara de Marx para identificar o credo do amador online que Keen tanto menospreza: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo; o ponto é reclamar sobre ele". A defesa de Keen de uma concepção de serviço público da mídia é válida, apesar de antiquada. Mas sua análise contrária mal direcionada o torna mais similar aos amadores online do que gostaríamos de admitir.* James Crabtree trabalha no governo do Reino Unido. Tradução: Deborah Weinberg Visite o site do Prospect